Em crise sim, mas sem perder a ternura jamais

Nicole Ofeiche e Luciana Josetti | Foto: Divulgação
O mercado de eventos, assim como os demais setores de serviços e comércio, sentiu a pressão gerada pela recessão econômica dos últimos tempos. Mas, diferente de outros segmentos, que sofreram congelamento ou queda drástica nas demandas, a procura por entretenimento e festas não parou. Afinal, é preciso sustentar a alegria e o amor em tempos de cólera. 
O mercado de eventos foi atingido também, mas as pessoas não deixaram de comemorar, de casar. Antes tínhamos festas para produzir de quinta a sábado. Agora as festas são mais no sábado e mudaram de perfil”, explica Nicole Ofeiche, cerimonialista da Nicole Ofeiche Assessoria e Cerimonial de Eventos, com 13 anos de experiência no ramo. 
A crise mudou o formato das comemorações, mais do que a demanda em si. “Convidam-se menos pessoas e com isso o custo é menor. O que sentimos é que antes se procurava um assessor de eventos com pelo menos um ano de antecedência, agora as pessoas nos procuram 4, 6 meses antes. Juntam primeiro o dinheiro e depois vão ver se dá para fazer a festa. No caso dos casamentos, por exemplo – que é um sonho alimentado desde pequena por muitas mulheres -, o sonho não deixou de existir, apenas mudou o tamanho e a forma de pagamento. Antes, os pais pagavam. Hoje, na maioria das vezes, são os próprios noivos que bancam as cerimônias e recepções”, comenta Luciana Josetti, sócia da empresa. 
Manoela Cesar, blogueira e consultora do Colher de Chá Noivas, confirma a situação: “o que a gente percebe é que as pessoas estão deixando de optar por coisas que são consideradas mais supérfluas, como, por exemplo, os mimos para os convidados, e contratando mesmo as coisas mais essenciais para a festa.  Não houve diminuição drástica na procura, e sim diminuição de itens nos eventos”. Segundo a especialista, o número de orçamentos também aumentou. Uma noiva fazia cotação com aproximadamente três a quatro profissionais. Hoje tem feito com mais de 10. 
Segundo dados da ABRAFESTA, Associação Brasileira de Eventos Sociais, em 2015 o mercado de eventos sociais movimentou cerca de 16 bilhões de reais que, junto com 210 bilhões movimentados por eventos corporativos, representa 4,3% do PIB nacional. Só em 2015, os casamentos ultrapassaram a marca de um milhão. A instituição ainda não divulgou os dados referentes a 2016, mas a projeção para este ano indica reaquecimento. 
As empresárias Nicole e Luciana Josetti não desanimam. As perspectivas para 2017 são regadas de otimismo. ‘Esse ano acredito que ainda sentiremos um pouco o impacto da crise, mas, em se tratando do nosso mercado creio que, com qualquer melhora na economia, a vontade de comemorar e celebrar retome seu ritmo. 2018, possivelmente, será um ano bem produtivo’, afirma Nicole, confiante. 

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