Para os profissionais de eventos, o clima é de muita tensão

Mercado de casamentos no Rio sofre com os efeitos causados pelo Covid-19 | Foto: Divulgação D.A Gastronomia
Mercado de casamentos no Rio sofre com os efeitos causados pelo Covid-19 | Foto: Divulgação D.A Gastronomia

Não é de hoje que o mercado de festas e principalmente o de casamentos se tornou verdadeira fonte de renda e excelente opção para pequenos, grandes e médios empreendedores. No Brasil, são registrados mais de um milhão de uniões civis por ano, isso segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este fato fez com que diversos negócios passassem a existir no país. De empresas de bufês à profissionais que prestam assessoria na organização de uma festa de casamento, o mercado traz para a economia um movimento de cerca de R$17 bilhões ao ano, de acordo com a Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta) que encomendou pesquisa ao Instituto Locomotiva. E como fica este mercado diante de todo o rebuliço que a epidemia do novo coronavírus está provocando?

Referência quando o assunto é alimentos e bebidas em festas de casamentos, a grife D.A Gastronomia, com sede no Rio de Janeiro e em Niterói, atendendo a clientes no segmento de bufê desde 2001, vê a situação do país como bastante delicada para este mercado. Desde o último sábado, a empresa teve 7 festas que foram adiadas.

Nosso mercado está bem impactado e estamos trabalhando para reprogramar todas as festas nos solidarizando com os clientes e adequando às suas necessidades. Como empresa de gastronomia temos um pouco mais de flexibilidade na remarcação de datas pois temos logística e equipe para atender com excelência até 3 eventos de grande porte por dia. Contudo, neste momento, não teremos os eventos menores e corporativos que normalmente surgem para preencher nossa agenda em dias de semana e domingos. Tivemos palestras canceladas e degustações também remarcadas. Estamos trabalhando em home office com reuniões virtuais para atendimento, orçamentos e inclusive visitas técnicas. Acredito que estamos vivendo uma fase de transformação.” ressalta Monique Abrantes, diretora de marketing da empresa, que do ano de 2017 pra cá já realizou mais de 500 festas no Rio, passando por locais importantes como o Museu Histórico Nacional, Ilha Fiscal e Morra da Urca.

Há mais de 15 anos neste mercado, o profissional cerimonialista Claudio Tironi, hoje um dos mais requisitados na organização de festas de casamento, bodas e quinze anos, assinando eventos em locais como o hotel Copacabana Palace, o Museu de Arte Moderna, e Parque Lage, viu nesta semana 5 de suas festas serem desmarcadas faltando poucos dias para acontecer. “Cerimonialistas, donos de bufê, maquiadores, estilistas, confeiteiros, fotógrafos, dj’s, e todos os outros profissionais que como eu fazem parte deste mercado serão afetados pela pandemia, precisamos que os noivos não cancelem suas festas e sim adiem, de preferência para datas durante a semana ou domingo, isso de alguma forma irá amenizar esta situação ”. afirma o cerimonialista, que usa como estratégia não cobrar nenhum valor extra ou de multa pelo adiamento da festa.

Uma campanha com os principais fornecedores do mercado de eventos do Rio de Janeiro foi criada, “Se seu sonho foi adiado, faremos ainda melhor!” diz o post, que começou a ser divulgado pelos profissionais do setor. “Estamos vendo esse problema que não é apenas no Brasil e sim do mundo. Precisamos ter consciência, coletividade e pensarmos no próximo. Noivos, não cancelem o seu sonho, adiem ele. É uma questão de solidariedade com o setor inteiro, aquele profissional que foi contratado para realizar o casamento se programo alguns meses para isso. Se os noivos tiverem a consciência de não cancelar e sim adiar, o efeito negativo será menor“. Afirma Fabiano Niderauer, fundador do selo Inesquecível Casamento.

No último dia 13 de março, o Ministério da Saúde sugeriu o adiamento ou o cancelamento de eventos com grande número de pessoas confirmadas. Empresários de aluguéis de espaços, móveis, sonorização e decoração também tiveram inúmeros cancelamentos.

Levantamento do Instituto Fecomércio mostrou que 57,1% dos empresários fluminenses veem algum risco para o seu negócio em decorrência da disseminação do coronavírus. Para esse grupo, o tamanho do risco é moderado (39,7%), alto (30,6%) e muito alto (19,1%). Ainda de acordo com a Fecomércio, o maior receio dos empresários é a falta de demanda por parte dos consumidores (67,5%), uma vez que muitos fluminenses podem vir a limitar suas saídas.

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