Sustentabilidade, por Sílvia Blumberg: Meu quintal é verdinho!

Silvia Blumberg | Arte: RR | Foto: Vera Donato

Meu quintal é verdinho!

Todos os dias somos bombardeados com infinidade de informações: dietas, dicas
sexuais, receitas da felicidade, cuidados com meio ambiente e sustentabilidade.

As mídias banalizam imagens de tragédias, corrupção,
publicidades com intimidades alheias… 

Como devemos nos comportar para encontrar nosso caminho e
realizar nossa missão neste mundo?

Desde muito pequena amava admirar as cores e voos das
joaninhas, as folhas secas que caiam  no
meu  quintal , a relação familiar dos
animais e em tudo isso percebia harmonia e paz.

Minha família muito pequena. Os judeus e muitos imigrantes
chegavam aqui nos anos 30 e 40 sem pai, mãe, irmãos… Logo meus avós tinham como família apenas seus filhos e
netos e suas saudades de seus entes queridos eram aliviadas com muita histórias. Estas histórias de saudades, perdas e sonhos embalaram minha mente criativa
e observadora.

Sou muito curiosa e suguei o máximo de sabedoria deles e sem
querer desenvolvi um comportamento que
hoje se denomina pessoa sustentável. Pessoa que pensa na vida como um momento
de passagem. Tudo aqui esta disponível mas tem limite, protocolos de uso e pertence ao coletivo de hoje e do
amanhã. 

Meus pais não tinham sintonia e o grande modelo de
felicidade de minha vida foi um casal do 41. Morávamos na casa 51. Esta
comparação me fez construir a certeza que meus passos certos ou errados dependiam apenas de mim!  

Sou responsável pelo  meu sucesso ou fracasso e meu caminho sou eu quem traço.

Preciso me conhecer e
reconhecer meus ‘ingredientes pessoais’ minhas receitas não são iguais as
suas mas todas são saborosas.

Meu esforço e empenho precisa ser recompensado logo cada um
tem suas medidas e seus resultados.

De toda estas
realidades a grande verdade: na simplicidade do cotidiano está a felicidade acessível para todos.

Esta simplicidade de ser uma pessoa contente, de
perceber em cada evento sua beleza implícita, de entender cores, sexo como
natureza e de ser extremamente exigente, corajosa e correta se manifestam em minhas relações pessoais, no meu trabalho
de criação e no meu senso estético. Seria minha foto… Aqui no RR.

De um punhado de resíduo tento renascer um novo valor.

Neste momento que nosso país sofre de colapso ético e que
nos vizinhos chovem balas de
fuzis, dinheiros roubados, sexos
violados e que muitos quintais estão encharcados ou esturricados precisamos nos inspirar e reagir para garantir nossos espaços e nossas possibilidades de coexistir e
continuarmos as criações de nossos sabores, odores, amores….

Anel Areia | Foto: Divulgação  

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